

BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 26 a 35 anos
Uma vez li uma crônica, não lembro de quem era, que falava sobre ser gostado. No começo achei meio estranho, mas depois percebi a grande sacada do autor, pois ninguém pára pra pensar nisso.
Ele dizia que ser gostado por alguém é tão ou até mais difícil do que gostar de alguém. E é verdade. A princípio soa muito estranho, porque parece que gostar dá trabalho, traz expectativa de sofrimento, de ser ou não correspondido, enquanto ser gostado não exige nada, apenas acontece.
Então por que o autor disse que ser gostado é difícil?
Explico: quando você gosta de alguém, o responsável por esse sentimento é você, só você e mais ninguém. Se você quiser guardar o gostar pra sempre e nunca contar pra ninguém, o problema é seu. Se você quiser deixar de gostar, o problema é só seu também... você tem controle sobre isso (embora seja um controle limitado, não deixa de ser um tipo de controle).
Agora, quando você é gostado, o problema não é só seu, é seu e de quem gosta. Porque ser gostado, além de mágico e nobre, é uma responsabilidade muito grande. Mesmo que você não tenha feito nada para ser gostado (e geralmente a gente não faz) fica com a sensação de que deve alguma coisa, de que tem culpa, de que tem algum tipo de obrigação...e a parte mais difícil de ser gostado é saber que você não tem absolutamente nenhum controle sobre estar sendo gostado. Nunca vai saber quando diminuir ou quando aumentar, ou quando deixar de existir. Não pode decidir nada, mas também não pode se dar ao luxo de não decidir. É uma carga pesada...não é ruim, claro que não, é maravilhosa, é bonita, mas é pesada, complicada e não envolve só você, pode fazer parte da vida de todo mundo que está envolvido, menos somente da sua.
Pra mim, é como bater um carro (numa comparação bem lúdica, é claro): se vc bate o seu carro, tudo bem, o carro é seu, paciência...mas se você está dirigindo o carro de outra pessoa e bate, ai é complicado, porque mesmo que você não seja culpado e pague a conta depois, a outra pessoa vai ser prejudicada...
Não me recordo se o autor chegou a uma conclusão naquela crônica, faz muito tempo que li, mas eu não cheguei a nenhuma. Na verdade esse é um daqueles assuntos que não têm conclusão, é como falar de morte, de amor, de espiritualismo...cada caso é um caso e cada um é cada um.
Por isso não vou concluir esse texto. Vou deixar tudo no ar, num estilo reflexão filosófica...
Acho que alguém da Globo, ou melhor, da agência Dm9DDB, criadora da campanha dos 40 anos da mega emissora, andou lendo este blog e concordando com meu sentimento “anti-jingle-de-fim-de-ano”. E resolveram criar um novo jingle para o aniversário da quarentona, que, por mais incrível que possa parecer, é uma graça! Pelo menos da melodia eu gostei...é muito mais agradável do que o antigo.
Não sou fã da Globo, pelo contrário, tenho aversão a forma com que eles manipulam nosso país, mas que a hegemonia dos "globais" é inegável, isso é. Os rios de dinheiro investidos em tecnologia e marketing sempre deram resultado, transformando a emissora numa das maiores do mundo e na maior do Brasil, sem deixar chance para Silvios Santos e Macedos tentarem sair na frente. Fazer o quê!? Eles podem!!
Terrível como o mau humor das pessoas pode fazer mal às outras pessoas! Às vezes, chego à conclusão de que o sorriso é contagiante, mas o mau humor é muuuito mais...
O pior é que ninguém tem culpa do seu mau humor (é... do seu) e do meu também, mas não quero falar do meu agora. Até porque faz tempo que não acordo de mau humor, e esse post não é sobre mim, é sobre o humor alheio...
Pois bem...não é só mal humor de amigo que afeta a gente, de desconhecidos também. Você acorda, o dia está lindo e cinza (como todos os dias em Curitiba), os pássaros estão cantando e os ônibus buzinando, você entra no elevador, diz um alegre e contagiante “bom dia” ao ascensorista, acompanhado de um “tudo bem?” e em troca recebe um olhar de reprovação e um “qual andar?”. Tá, deve ter tido uma noite mal dormida, vc pensa, sem problemas.
Então vc chega no escritório, feliz pois ama o seu trabalho, e cumprimenta seus colegas querendo saber se está tudo bem e ouve um "arram" em baixíssima escala, quase inaudível, e pensa outra vez: tudo bem, sem problemas, mas um que dormiu mal.
Aí você liga para alguém e a secretária atende: "não está". E ao pergutar a que horas fulano chega, você ouve: "ele é o patrão, como é que vou saber?". Vc respira fundo, conta até cinco, agradece e desliga.
E assim se sucedem inúmeros desaforos de pessoas que você não faz idéias de que nome tenham, como o garçon no restaurante, o porteiro do prédio, o motorista do táxi, o cobrador do ônibus, e ao invés de contar até cinco, você passa a contar até cinquenta, cem, mil.
Então você chega em casa, incrivelmente aliviado por estar livre desse mundo repleto de pessoas mal-humoradas que não sorriem pra nada e alguém pergunta: "então como foi o seu dia?" Você olha pra pessoa, os olhos saltando , e responde: "Dá pra você parar de me encher o saco???"
PS: Na próxima vez em que despejar seu mau humor em alguém, lembre-se disso!