

BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 26 a 35 anos
Estou farta de cinismo
Farta dessa melancolia barata que se vende por aí
Cansei das falsas ideologias
Dos discursos frouxos e sem consistência
Estou farta de pessoas mesquinhas e suas futilidades
De adjetivos fracos e insossos
Estou cansada do igual, do sempre, do comum
Estou farta dos sorrisos podres
Dos personagens que se quebram com o vento
Estou farta de saber dessa miséira negra e cor-de-rosa que paira no ar
Como se não existisse, mas motrando que é real.
Estava lá
Viu
Queria correr
Mas não podia
Queria gritar
Mas sua voz já não era ouvida
Sabia que era errado
Não podia ficar ali, parado
Mas também
Ia fazer o quê?
Sem voz
Sem pernas
Então resolveu relaxar
Se nada podia fazer
De que adiantava
Sofrer calado
Emudecido frente àquilo
Que lhe açoitava a dignidade?
Acendeu um cigarro
Sentou novamente
Esticou os pés sobre uma cadeira
E assistiu quietinho
Certo de que nada podia ser feito
Era mais um...
Conformado com o absurdo.