

BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 26 a 35 anos
Ali, naquela rua deserta,
sente a dor consumindo todo o seu corpo aos poucos.
Uma dor covarde, porque vai se espalhando lenta e sutilmente e vai devorando tudo.
Tão forte que ela grita e ouvem-se ao longe seus gemidos de desespero e desamparo.
Seus cabelos embaraçados, molhados pela chuva que caiu... Mas não importa...
Queria apenas sentar naquela rua vazia
e sentir seu coração ser retalhado pela sombra.
Sol, já não vê mais.
Luz, não quer.
Pra quê? Pra quê luz, sol e calor se tudo o que lhe resta está ali, escorrendo pelos bueiros sujos?
Junto com o sangue que jorra da sua alma...
Chora lágrimas vermelhas,
lágrimas com um gosto amargo, gosto de derrota...
Mas não quer levantar...não, já não quer mais levantar e encarar a vida...outra vez.
Só quer ficar ali, sentada naquela rua deserta, sentindo sua própria vida escorrer pelos dedos vermelhos de sangue...
Quem leu sabe, quem não leu leia. A entrevista com o psiquiatra e psicoterapeuta Roberto Shinyashiki, publicada na Isto É do dia 19/10 é simplesmente fantástica. Ele acaba de lançar o livro Heróis de Verdade e se ele escreve tão bem quanto fala, o livro deve ser ótimo.
O assunto é algo de que todos estamos fartos: “o parecer”. Ele fala também sobre felicidade, angústia, “sucesso” e muitos valores impostos por esta louca sociedade em que vivemos.
Uma sociedade que ensina que para ter sucesso você precisa ganhar muito bem, viajar muito e ser diretor de uma multinacional. Os “meros” funcionários da tal multinacional são apenas “fracassados”. Cobramos de nós mesmos um perfeccionismo sobre-humano, esquecendo de valorizar as coisas mais simples, de sermos felizes nos momentos, de termos o direito de errar.
Numa entrevista de emprego, por exemplo, quem ganha não é o cara mais competente ou aquele que tem três MBA’s fora do país, mas é o que tem as respostas que o entrevistador quer ouvir. Segundo Shinyashiki, quem tem bom marketing pessoal, sabe fingir e fazer o jogo do poder é quem fica, independentemente da competência. Ele diz que essas pessoas se tornam burros motivadores. Sabem parecer, mas não sabem ser.
O psiquiatra afirma que o Brasil não precisa desta motivação, mas de competência, de pessoas que pelo menos consigam ler um livro até o final.
Para que tentarmos construir heróis com conceitos errados? Herói é o cara que luta pelo SEU projeto de vida, não pelo que esperam dele. È quem é transparente e humilde, quem sabe admitir que errou, quem sabe pedir desculpas. É a pessoa capaz de despertar orgulho em seus filhos.
Cada um deve descobrir dentro de si mesmo o que lhe faz um herói. Não devemos parecer perfeitos para o mundo, mas ser perfeitos para nós mesmos.