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Chanel n° 5
Ontem fui assistir “Coco antes de Chanel” no cinema. Ganhei um par de convites em uma promoção na internet e fui. Curioso, porque não seria exatamente o filme que eu pagaria para ver na telona, mesmo tendo lido boas críticas. Provavelmente eu ia preferir um outro blockbuster qualquer, mais divertido. Mas como era de graça eu fui. Minha amiga (e chefe) que foi comigo e eu concordamos que era um filme para mulheres. Até porque nenhum homem é capaz de entender a importância de uma invenção como o pretinho básico. Mas não era um filme sobre moda. Era um filme sobre independência, liberdade, revolução. Um filme maravilhoso! Se Gabrille Chanel era uma mulher capaz de ser elegante mesmo despenteada e vestida em um pijama velho, Audrey Tautou a interpretou de forma brilhante. Pode ser apenas uma forma de fortalecer a marca, uma grande peça publicitária de 1 hora e 45 minutos. Mesmo assim, vale se aproximar da essência de uma mulher que estava anos-luz à frente de sua época. Por que diabos ela tinha que se casar? Por que diabos as mulheres precisavam usar aqueles enormes chapéus cheios de plumas, penas e pedras? Para que aquele cabelo enorme que atrapalhava? E os espartilhos apertadíssimos que não deixavam ninguém respirar? Se ela não tivesse empregado a simplicidade ao estilo feminino dando um passo rumo à liberdade das mulheres, com certeza outras o fariam, mas não do jeito que ela fez. Com uma personalidade e uma firmeza fantásticas. Um take exemplifica isso: a cena do baile, quando as mulheres dançam com seus cavalheiros parecendo merengues em uma confeitaria, como ela mesma diz. Enquanto madmoiselles rodopiam prendendo a respiração, Coco dança livremente em um vestido preto, liso, com um decote nas costas e uma renda discreta na frete. Sem espartilho... Nascia o pretinho básico. O filme já saiu de cartaz nos grandes cinemas e logo deve se lançado em DVD. Se tiver a oportunidade, assista. É inexplicável, mas eu saí do cinema me sentindo a própria Chanel. É verdade! Senti uma vontade louca de usar um pretinho básico (aí está o efeito da publicidade). Mesmo sem um desses, levantei a cabeça imitando a postura elegante, feminina e nada frágil de Coco e saí andando pela rua em direção ao ponto de ônibus. Incrível, mas passando em frente a uma loja de pianos (ali em Pinheiros tem vários antiquários e lojas afins) tinha um homem tocando um piano. Oh, até aí nada de anormal, mas é que ele estava de terno preto com um cigarro na boca, tocando e olhando para o alto. No filme tinha uma cena idêntica, quando Coco conhecia seu grande amor (filme sem romance não dá né?). Claro, o cara que eu vi era gordo e feio, bem diferente do ator do filme, mas foi engraçado. Na verdade, o cigarro na boca era Coco quem usava, mas nem tudo pode ser perfeito! Ri e continuei caminhando e aplicando todo o meu escasso conhecimento francês na postura. Até que de repente começaram a cair alguns pingos de chuva. Continuei de cabeça erguida. Até que descambou água e eu tive que sair correndo, deixando a elegância Chanel para trás. Afinal, nem Coco resistiria a uma chuva daquelas e uma calça creme toda molhada!
Escrito por Nani às 10h46
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Sabe o que eu queria ser? Uma crítica gastronômica. Uma crítica paulistana talvez. Não estou falando de uma crítica gastronômica que nasceu em São Paulo , estou usando paulistana com o mesmo sentido de gastronômica. Uma crítica que critica São Paulo (isso foi péssimo). Porque São Paulo é dessas cidades que só se conhece se for por profissão. É impossível conhecer a cidade nos fins de semana e horas vagas afins. São tantos lugares, tantas ruas pitorescas, tantas coisas legais no centro (e pixadas e cheias de nóias), tantos bares, tantos restaurantes, tantos ambulantes que vendem milho verde em pratinhos no ponto de ônibus. È verdade! Aqui eles vendem milho verde cozido em pratinhos de plástico tipo de aniversário, só que fundos. Eles cozinham a espiga e cortam os grãos com uma faca dentro do pratinho. Aí você come com colherinhas de plástico. Ótima idéia para evitar aquela cena de roer o sabugo (reservada à intimidade do seu lar). Quando eu vou pegar o ônibus lotado às seis horas da tarde, cheio de operários suados de regata e gordinhas com os pneus de fora igualmente suadas, eu sinto aquele cheirinho de milho verde que me leva direto à casa da minha mãe. Não, eu nunca comi o milho verde da rua, mas quando for oportuno vou experimentar sim. Ok, já divaguei e fugi do assunto. Voltando: é impossível conhecer São Paulo, a não ser que isso seja sua profissão. Ir a lugares, visitar exposições, assistir a peças de teatro. E escrever depois sobre o que você achou de tudo isso. Todos os detalhes e a opinião do seu lazer, quer dizer, do seu trabalho. Tem gente que vive disso. É um trabalho como qualquer outro, eles devem achar. Tem que ralar muito para experimentar o chopp gelado daquele boteco novo, os bolinhos de mandioca com carne seca da petiscaria e o prato principal do último bistrô, que não me arrisco a dizer o nome, nem do prato e nem do bistrô. E ainda não pagar por isso, mas receber! Bom, na verdade alguns devem pagar pelo que consomem, mas são reembolsados pelo veículo depois. Porque além de tempo também é preciso dinheiro para conhecer São Paulo. Uma hora num estacionamento pode custar 15 reais! Não é para qualquer operário suado não... E na balada uma lata de cerveja Itaipava custa sete reais, pelo menos. Uma balada de inferninho, imagina os clubes onde as hostess tem a função de expulsar que não chegou de Porsche?! É verdade que eu estava há dois anos em uma cidade de 160 mil habitantes e em 2006 em outra de 70 mil. Mas não estou impressionada com a cidade grande. É que São Paulo é foda mesmo! Aliás, acho que estou me apaixonando pela cidade, mesmo não sendo crítica gastronômica, nem crítica paulistana, nem ao menos paulistana! Mesmo não tendo dinheiro (ainda) para aproveitar tudo o que a megalópole oferece estou apaixonada pela capital paulista!
Escrito por Nani às 10h53
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É engraçado sentir falta do que a gente costumava odiar. É estranho perceber como a ausência perturba, sendo que antes era a presença que incomodava.
Escrito por Nani às 16h01
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Quando escrevia no blog há cinco anos eu falava sobre coisas habituais. Assuntos que me chamavam atenção durante o dia, como uma conversa no ônibus, algo que vi na rua, um comportamento não convencional, essas coisas... A Karina (uma grande amiga) disse em um comentário no primeiro post de 2009 que eu não estou escrevendo mal, apenas estou mais exigente. Ok, talvez ela esteja certa. Mas será que com o passar do tempo também ficamos menos observadores? Ou menos impressionados? Talvez quando eu era mais jovem e estava de certa forma descobrindo o mundo, muitos eventos que hoje passam despercebidos me chamavam atenção. Será que ouvir uma conversa sobre alguém que encontrou dificuldade ao precisar da saúde pública não me choca mais (e olha que recentemente isso aconteceu comigo em São Paulo)? Será que ignoro a necessidade de fazer alguma coisa pela tolerância no trânsito, mesmo que seja escrever um post? Por isso dizem que a juventude sim é capaz de mudar o mundo. Não que eu me considere velha, mas é que a experiência muitas vezes traz uma sensação de inutilidade. Parece que vem um sentimento de “não há nada a fazer”, certo conformismo. Quando me tornei jornalista e me deparei com alguns obstáculos ao objetivo da profissão – que é buscar uma transformação social através da informação – enxerguei isso como um novo desafio. Resolvi aceitar os entraves do interesse da mídia como uma provocação e tentar mesmo assim transmitir a informação à sociedade sem ruídos. Sempre busquei alcançar, de uma forma ou de outra, um resultado real como meu trabalho. Há um tempo fora do hard news, percebo que não basta trabalhar por isso como jornalista. É preciso pensar em transformação enquanto cidadã. Resgatar os olhos impressionados e observadores que eu tinha aos 20 anos e não deixar que o conformismo deteriore a revolta. Ações simples podem melhorar situações com as quais nos revoltamos, reclamamos, ou até ignoramos por acreditar em nossa incapacidade. A rebeldia é necessária em todos os momentos da vida, não só na juventude. Basta refletir um pouco e pensar no que podemos fazer no presente para mudar o futuro. Talvez não possamos evitar os apagões de energia no país (olha aí... eu podia ter escrito um post sobre o apagão no meu apartamento, mas seria muito óbvio, esse ficou melhor!), mas podemos melhorar o relacionamento com nossos vizinhos de condomínio, diminuir a falta de educação no trânsito, ser mais gentis. Coisas simples, que podem tornar a vida mais fácil e permitir mais disposição para se rebelar contra problemas maiores.
Escrito por Nani às 10h14
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A cereja do bolo
Tentei escrever um post para explicar o motivo do layout do blog. Comecei falando da cor vermelha e sexy da cereja, mas ficou tão brega que não tive coragem de terminar. Então serei mais simples: adoro cerejas e quero buscar sempre em tudo o que eu faço ser “a cereja do bolo”. Fazer a diferença, se destacar no comum, trazer o original. Quando somos criativos e buscamos fazer mais do que o esperado damos um toque pessoal em tudo o que fazemos. Seja sempre a cereja do bolo! Ah, só uma pessoa vai entender isso: a cereja também é um elo de amizade!
Escrito por Nani às 15h09
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Tá, eu sei que o visual tá horrível. Mas primeiro eu quero escrever, depois dou uma cara melhorzinha pra ele... Já não basta que tive que mudar a faixa etária do perfil de 20 a 25 anos para 26 a 35. Podia ser de 26 a 27 ou 28... Bom, isso só com códiog HTML, que eu não sei fazer!! Também tive que mudar o lugar: de Curitiba para Rio Verde, ops, para São Paulo. Quanta mudança né? Ai que frio na barriga!
Escrito por Nani às 16h34
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Segundo tempo
Será que uma habilidade natural pode regredir nas pessoas? Foi minha pergunta ao ler alguns dos textos mais antigos desse blog. Há tempos penso em retomar minhas crônicas, mas nunca tenho tempo. Na verdade, relendo quase todo o blog, começo a acreditar que minha falta de tempo era uma desculpa para o medo. O medo de não saber mais escrever assim. É sério. E deveria ser justamente o contrário. Agora, a maturidade de uma mulher prestes a entrar nos 30 e a experiência de cinco anos de jornalismo deveriam deixar meus textos surpreendentemente melhores. Mas tenho a sensação de que eles podem ficar surpreendentemente piores do que antes. Será que foi a televisão? Será que foi uma vingança por causa de um post antigo no qual eu criticava a telinha, usando a música dos titãs? ... “a televisão me deixou burro, muito burro demais...” Pode ser isso. Acho que eu não deveria ter criticado tanto o que no futuro seria meu ganha pão! Quanta ironia! Na verdade isso faz sentido. Porque escrever para televisão é ser simples, objetivo e até repetitivo às vezes. Acho que esses anos de OFF-SONORA-PASSAGEM me deixaram meio “padronizada”. Para descobrir quão surpreendentemente ruim meus novos textos podem ficar, só experimentando não é mesmo? Então vamos ao segundo tempo! Em tempo: OFF é o texto que escrevemos para uma matéria de televisão e que depois é gravado com a locução do repórter. SONORA é uma entrevista inserida na reportagem. PASSAGEM é a parte que o repórter aparece no vídeo dando alguma informação dentro da reportagem.
Escrito por Nani às 16h13
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